Em meio a agressões, executivas criam rede de proteção e denunciam abusos.

Uma versão corporativa da campanha #MeToo — que encorajou mulheres a dividirem experiências de abuso nas redes sociais — traria relatos como o de Maria Fernanda. Ou como o da economista Monica de Bolle, que ameaçou sair de uma reunião por causa das piadas machistas. Ou, ainda, a de Luiza Trajano, presidente do Conselho de Administração do Magazine Luiza: “Tive uma gerente morta pelo marido.”

Silvia Fazio, presidente da Woman in Leadership in Latin America, organização que trabalha pelo desenvolvimento de carreira de mulheres na região, afirma que todas as executivas têm uma história para contar, ainda que não seja a delas mesmas.

— Uma em cada três mulheres no mundo sofreu, está sofrendo ou vai sofrer assédio. Não adianta Catherine Deneuve dizer que é um exagero. Exagero são os anos de tolerância e subordinação das mulheres dentro e fora das empresas. A grande questão da Humanidade é resolver a diferença de gênero e da violência culturalmente admitida contra a mulher — diz Raquel Preto, sócia-fundadora do escritório Preto Advogados, em São Paulo.

O debate sobre desigualdade de gênero e assédio está fortalecendo as mulheres, a ponto de as denúncias terem aumentado nos últimos anos. Segundo o Ministério Público do Trabalho, foram 165 denúncias de assédio sexual em 2012, crescendo para 340 em 2017, mais que o dobro.

— Às vezes a vítima se cala. Relatar é tão ou mais constrangedor que o ato.

Falta um setor para recebimento das denúncias e trato adequado nas empresas. Quando a denúncia chega até nós é porque a situação está chegando a um ponto inimaginável — afirma Valdirene de Assis, procuradora do Trabalho.

Ela lembra que é crime, passível de prisão de um a dois anos, se o assédio vier de um superior, com promessa de promoções em troca de vantagem sexual.

Houve mais de mil queixas de assédio sexual entre 2009 e agosto de 2017, em 110 empresas, segundo registros da consultoria Protiviti, que instala e administra canais de denúncias.

— As companhias precisam estar prontas para tratar essas denúncias e ter regras claras para combater abusos — alerta o sócio-diretor Fernando Fleider.

E a situação ainda é pior para as mulheres negras, De acordo com estudo da Mckinsey & Company, nos Estados Unidos, nas diretorias executivas, há apenas 3% de mulheres negras, enquanto que o total de mulheres é de 18%. Os homens brancos ocupam 67% das vagas no topo.

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