5 PERGUNTAS: Patrícia Ulian defende maior presença de mulheres na liderança do agronegócio

Patrícia Ulian, general counsel da América Latina na Archer Daniels Midland Company (ADM), empresa que atua no setor do agronegócio, ingressou no time de conselheiras da WILL nesse ano. Ela conheceu o trabalho da organização por meio da amiga Patricia Barbelli, diretora na Diageo. Na ADM, fundou o Comitê de Diversidade. Graduada, pós‐graduada e mestre em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Patrícia possui MBA pela Fundação Dom Cabral‐FDC/MG e foi professora universitária de Direito Tributário. Nesta entrevista, ela fala sobre os desafios da participação feminina no agronegócio.

1. Mesmo com o aumento da participação das mulheres nos últimos anos, o setor do agronegócio ainda é considerado majoritariamente masculino?
Muito embora exista um aumento constante da participação das mulheres no setor, esse aumento é pouco significativo, principalmente nas posições de liderança. Para se ter uma ideia, no último censo agropecuário do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 1.714.416 mulheres se autodeclararam chefes de um empreendimento rural, como produtoras, gerentes e responsáveis pelas principais atividades nas fazendas, o que indica um aumento de 12,6%, em 2006, para 18,6%, em 2017. Nesse sentido, as políticas criadas pelas empresas têm papel fundamental para estimular esse crescimento. Como exemplo, poderia citar algumas ações promovidas pela ADM, como a assinatura de um compromisso global de paridade de gênero na empresa até 2030. Com certeza, políticas afirmativas com esta, reforçam o compromisso da empresa com esse tema.

2. O crescimento da liderança feminina entre os players agrícolas poderá trazer mudanças a esse cenário?
Sem dúvida. As pesquisas têm demonstrado que as empresas que contam com mais mulheres em cargos de liderança ou de destaque são mais bem sucedidas e estão mais preparadas para futuros desafios. Isto porque a diversidade traz consigo flexibilidade, resiliência e inovação, que são as principais características das empresas sustentáveis.


3. A pesquisa “Todas as Mulheres do Agronegócio”, realizada pela Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) mostrou que 60% das entrevistadas têm curso superior. A melhor qualificação profissional se reflete na igualdade salarial com homens?
Apesar das mulheres estarem se capacitando e qualificando cada vez mais para o mercado de trabalho, isso não tem necessariamente se refletido em remunerações iguais às masculinas. E não apenas no mercado do agronegócio, mas na grande maioria dos setores. Infelizmente, essa diferença salarial se acentua no agronegócio por ser um mercado tradicionalmente masculino.


4. O agronegócio bate recordes de crescimento todos os anos e representa mais de 20% do Produto Interno Bruto (PIB). Por conta desse protagonismo na economia brasileira, a equidade de gênero se torna ainda mais fundamental neste setor?
Certamente. O agronegócio é a verdadeira vocação do Brasil e da maior parte dos países da América Latina. É um setor que, além de trazer divisas e inovação, projeta o Brasil no mundo como um país competitivo e bem posicionado para os desafios futuros. Nesse sentido, não somente a equidade de gênero, mas todos os tipos de diversidade são essenciais para reforçar mais esse protagonismo.


5. O Ministério da Agricultura foi criado como uma Secretaria pelo imperador Dom Pedro II, em 1860. No entanto, apenas duas mulheres estiveram à frente do órgão: Kátia Abreu (2015-2016) e, atualmente, a ministra Tereza Cristina. Qual a importância de mulheres à frente do ministério de um setor hegemonicamente masculino?
É fundamental que mulheres ocupem posições de liderança, seja em cargos públicos ou empresas privadas, porque elas representam modelos inspiradores para futuras gerações, estimulando constantemente que mais mulheres estudem, trabalhem e contribuam de forma ativa para o país e para economia global

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