CINCO PERGUNTAS PARA MARINA SOARES | ARCELORMITTAL

Desde março, a WILL conta com uma nova integrante em seu time de conselheiros: Marina Soares, diretora Jurídica, Relações Institucionais e Sustentabilidade e Compliance Officer da siderúrgica ArcelorMittal Brasil. Graduada em Direito e Comércio Exterior, pós-graduada em Direito Empresarial e com especialização em Contratos Financeiros Internacionais pela Euromoney Trainning Course Cambridge, a executiva também é sponsor do Programa de Diversidade & Inclusão da ArcelorMittal Brasil.

Marina é nossa entrevistada na seção 5 Perguntas, na qual revela um pouco sobre sua trajetória profissional e a maneira como enxerga os desafios de aumentar a presença das mulheres em cargos de liderança no país. Seja bem-vinda, Marina!

1) Apesar de ser graduada em áreas que contam com boa participação feminina, você consolidou sua carreira em um setor onde a presença de mulheres ainda é considerada exceção. Como você avalia esse cenário? Consegue enxergar mudanças comparando a época em que chegou à siderurgia e atualmente?

É um momento bem diferente. Posso garantir que as mudanças neste sentido são perceptíveis desde o início da minha trajetória na ArcelorMittal, em 2010. Existem mais mulheres nas áreas industrial, operacional, carregando material refratário, dirigindo veículos pesados nas unidades… Mais mulheres também atuando como gerentes, gerente-gerais, comandando equipes formadas majoritariamente por homens. Percebo vários avanços sobre a presença feminina no setor siderúrgico. E isso tende a se intensificar, o que é bom para todos e todas.

2) Contudo, a presença feminina em um setor eminentemente masculino, como a siderurgia, ainda é tímida. Na sua visão, existem déficits ou entraves que impeçam mais mulheres de trabalhar na área?

A sociedade mudou, o mundo mudou. Não dá para comparar com 30, 40 anos atrás. Não existe mais espaço para o machismo estrutural no dia a dia e também na área da siderurgia ou em qualquer outra. É algo que precisamos combater e conscientizar as pessoas. Apenas para exemplificar uma situação ocorrida no ano passado e que mostra pequenos avanços no próprio setor de aço. Uma mulher quebrou uma barreira dentro da própria ArcelorMittal e do segmento siderúrgico. A engenheira Tatiana Nolasco foi a primeira a assumir uma unidade industrial da ArcelorMittal na América Latina e no Brasil. Ela é a diretora de Negócios da ArcelorMittal Sul Fluminense, que abrange as plantas industriais de Barra Mansa e Resende, e comanda cerca de 800 empregados, dos quais 90% são homens. É uma conquista que inspira outra mulheres a optarem pelo universo siderúrgico, e mostra que nós podemos ser o que quisermos.

3) Qual a importância do tema equidade de gênero dentro do programa de Diversidade e Inclusão mantido pela ArcelorMittal?

A empresa entende que a diversidade é um fator essencial para a construção de uma sociedade mais justa. E que a organização precisa de mais mulheres para ter novas perspectivas, outros olhares, aprender e criar novos resultados. O aumento da participação das mulheres deve ocorrer em todos os cargos e segmentos de negócio. Atualmente, dos cerca de 17 mil empregados da empresa no Brasil, 14% são mulheres. Em cargos de liderança esse número é de 9%, na área operacional, 7%, o que torna o desafio ainda maior. Portanto, ainda é um longo caminho a ser percorrido, mas estamos trabalhando para isso. O nosso Programa de Diversidade & Inclusão atua numa dimensão específica de equidade de gênero. Temos um grupo de voluntários, aliados, madrinhas e padrinhos que são responsáveis pela proposição de ações e iniciativas que visam à promoção de um ambiente de trabalho respeitoso, justo e igualitário para as mulheres.

4) Recentemente, a ArcelorMittal anunciou o compromisso de ter 30% de mulheres entre seus colaboradores, até 2030. De forma prática, quais são as iniciativas trabalhadas pela empresa para atingir este objetivo?

O estabelecimento da meta é um marco na história da empresa e que deixa todas nós, mulheres, muito orgulhosas e entusiasmadas. No ano passado, a ArcelorMittal aderiu à ONU Mulheres. Com a assinatura do termo, a produtora de aço assumiu o compromisso de seguir sete princípios de empoderamento feminino: estabelecer liderança corporativa sensível à igualdade de gênero no mais alto nível; tratar todas as mulheres e homens de forma justa no trabalho; garantir saúde, segurança e bem-estar de todas as mulheres e homens na empresa; promover educação, capacitação e desenvolvimento profissional para as mulheres; apoiar empreendedorismo de mulheres e promover políticas de empoderamento; promover igualdade de gênero por meio do ativismo social e documentar e publicar progressos da empresa nesta área. Para o atingimento da meta, a ArcelorMittal vai estruturar uma série de ações e iniciativas que visam ao desenvolvimento e formação de mulheres dentro e fora da empresa. Além disso, a Fundação ArcelorMittal lançou a nova edição do programa STEAM Girls, voltado para a formação de meninas para as áreas da Ciência, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática. A primeira edição, no ano passado, foi direcionada às filhas dos empregados da empresa. Em 2021, a programação está mais diversificada e ampliada para a comunidade, com foco em alunas das escolas da rede pública de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, com potencial de atender a todo o território nacional por meio das iniciativas virtuais. A ideia é despertar o interesse das meninas pela escolha de carreiras nas áreas abrangidas pelo programa.

5 – Associada à preocupação de ampliar a participação de mulheres na empresa, existe alguma ação voltada para o fortalecimento da cultura organizacional para que a equidade de gênero seja refletida na rotina do dia a dia dessas colaboradoras?

Nos últimos dois anos, no âmbito do Programa, a empresa realizou treinamentos e fez uma série de campanhas de comunicação e sensibilização dos empregados a fim de construir um ambiente de trabalho mais diverso e inclusivo, onde o respeito e a tolerância prevalecem. Trabalhamos a temática de ponta a ponta para reforçar a necessidade de combatermos o machismo. Já celebramos um grande avanço na ArcelorMittal, mas sabemos que ainda são muitos os desafios pela frente para que as empresas reflitam a pluralidade de gênero em nossa sociedade.

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