EDITORIAL – IV EDIÇÃO | PESQUISA MULHERES NA LIDERANÇA

A necessidade de ampliar a presença feminina no mercado de trabalho é um tema que vem ganhando cada vez mais importância no cenário mundial e isso se reflete de forma bastante positiva no País. Empresas e CEOs têm incluído o assunto em suas agendas e atuado para contratar mais mulheres, até como uma consequência da forte pressão social e para o atingimento de metas ESG. Porém, observamos que, na prática, embora seja possível mapear um constante aumento na proporção de mulheres contratadas, ainda há muito espaço para ser conquistado.

O resultado da pesquisa “Mulheres na Liderança” neste ano aponta claramente que as empresas estão não só adotando mais políticas afirmativas, como também estabelecendo métricas mais precisas para acompanhar a evolução das políticas de equidade de gênero. O que configura um grande avanço.

Certamente, esse movimento tem ligação com o momento social que vivemos, em que temas relacionados ao universo ESG impactam de forma direta a tomada de decisão, e com a diversidade sendo vista como um aspecto estratégico dentro das empresas. Observamos que estes valores vêm sendo mensurados de maneira equivalente a outros índices empresariais, como os que avaliam as questões financeiras, por exemplo. Atrelada a esse peso maior, a equidade de gênero passa a ser uma agenda prioritária para a liderança e a adoção de metas e métricas para acompanhamento e deve proporcionar um crescimento muito positivo nos próximos anos. Finalmente, podemos afirmar que estamos evoluindo de maneira concreta

Dentro deste cenário, com uma atuação muito mais estruturada, algumas interseccionalidades também receberam mais atenção dos responsáveis pela gestão empresarial. A pauta racial, por exemplo, ganhou força nos últimos anos, com aumento de políticas afirmativas e implementação de iniciativas para promover a mudança cultural e mitigar as desigualdades, como treinamentos de vieses inconscientes e de preconceitos. A questão racial é um aspecto que evoluiu muito em 2021. A ação de movimentos globais, como o “Black Lives Matter”, trouxe a atenção mundial para o tema e acabou criando um círculo virtuoso muito positivo. Há três anos, a interseccionalidade no geral e, em específico, da mulher negra, era muito pouco considerada pelas empresas e, de forma muito rápida, esse movimento ganhou força.

A grande maioria das companhias brasileiras está se conscientizando sobre a relevância do papel social que desempenham e suas lideranças mostram-se muito mais comprometidas a fomentar a mudança de cultura para que exista, de fato, um equilíbrio, não só na presença entre homens e mulheres em seus times, mas, principalmente, nas condições de trabalho entre os gêneros e também com relação às interseccionalidades. Como mencionado anteriormente, vemos bastante progresso no que diz respeito à questão racial, porém quando analisamos a presença feminina em conselhos de administração, considerada a última etapa da carreira executiva, observamos que a representatividade é mínima e que muito pouco vem sendo feito no sentido de mudar a dinâmica de seleção, com foco em diversidade e inclusão.

Quando falamos em equidade, a reflexão precisa ir muito além do recrutamento e seleção de mais mulheres para os quadros de colaboradores. Temos que pensar em oportunidades iguais, ir até a raiz da problema e fomentar a busca pelo equilíbrio, criando atalhos para que mulheres possam, efetivamente, chegar ao topo, em números que gerem uma massa crítica para fazer a diferença

O mercado de trabalho evoluiu e temos inúmeros exemplos de práticas que funcionam. O que precisamos agora é ampliar o alcance delas e engajar mais agentes para acelerar essa mudança!


Boa leitura!




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