JOVENS MULHERES NO MERCADO FINANCEIRO

Para além do Dia da Consciência Negra.

Encerramos o mês da Consciência Negra, mas fica a reflexão de que ainda temos muito que avançar na questão relacionada à inclusão de pessoas negras em cargos de liderança. Os estudos mostram que a participação de executivos negros em conselhos de administração, por exemplo, caiu 6,6% no Índice de Equidade Racial Empresarial (IERE) do ano passado para 4,1% no IERE- 2021.

Quando o assunto é mulher negra no mercado de trabalho, os índices mostram uma disparidade e tanto. Só para se ter uma ideia, a mulher negra ganha 60% menos do que um homem branco ocupando a mesma posição. Isso impacta na perspectiva de inclusão socioeconômica, mas também
influi em aspectos de qualificação.

Segundo a ONU Brasil, no país, há 55,6 milhões de mulheres negras que recebem, em média, 40% do salário de um homem branco. Representam 27% da população, mas ocupam menos de 1% dos cargos de alta liderança nas empresas. Além disso, elas fazem parte de um dos grupos mais vulneráveis à violência, racismo e outras formas de discriminação. Foi pensando nesse cenário, que em meio à pandemia de COVID-19, no ano passado, nasceu o Conselheira 101, iniciativa da qual sou cofundadora. O programa tem como principal objetivo levar às lideranças femininas negras conhecimentos sobre o papel desempenhado por um membro de conselho, responsabilidades, formação, desafios e incentiva o networking. Das 18 participantes da primeira turma, no ano passado, sete (38%) já ocupam posições em conselhos de administração, fiscal, consultivo ou comitê. Agora, no fim deste ano, vamos formar mais um grupo e temos a previsão de iniciar outro no início do ano que vem.

Com o mesmo propósito, de preparar mulheres negras para alcançarem cargos no topo da hierarquia corporativa, outra iniciativa muito importante lançada recentemente é o EBWL – Empowering Black Women to Senior Leadership. Desenvolvido pela WILL, em parceria com diversas empresas e consultores de segmentos variados, o programa de mentoria visa auxiliar talentos que atualmente ocupam cargos de média gerência a acelerarem suas carreiras e alcançarem postos na alta liderança em suas organizações.

Durante um ano, as participantes serão acompanhadas de perto por seus mentores e terão a oportunidade de fazer parte de encontros com CEOs de grandes corporações com atuação no Brasil e exercitar não só os skills profissionais, mas também os soft skills necessários para alavancar a carreira.

Estudos comprovam que as mulheres rendem mais dentro das organizações. Elas devem ser enxergadas como verdadeiras potências econômicas. Estamos tendo um avanço, principalmente quando se fala de diversidade de gênero, mas, na prática, os números não refletem o que se vê propagado nos discursos. Na nova onda de IPO (abertura de capital), 40% das empresas não contavam com nenhuma mulher no conselho. Ainda há muito o que se trilhar .

Sabemos que networking é importante, mas a diversidade nos conselhos só será viável quando a indicação deixar de ser o único critério de escolha. Processos seletivos nas empresas e a busca ativa por profissionais diversos podem ajudar a equilibrar o perfil dos boards .

Hoje estamos falando mais sobre o assunto e pautando mais essas questões, mas, na prática, vemos refletir pouco esse discurso e não como deveriam. A transformação não tem a ver só com a importância da atuação social, mas também com uma busca por expansão e posicionamento no mercado. As lideranças de uma empresa precisam questionar ‘por que’ não há mais pessoas negras, mulheres e outros grupos em suas cúpulas, seu público precisa estar representado. O ciclo da diversidade estimula uma renovação e a inovação nos negócios que se torna um importante diferencial competitivo, que não deve ser menosprezado.




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