Licença parental e seu papel para a equidade nas empresas

Em agosto, celebramos o mês dos pais. Que tal aproveitarmos a ocasião para debater um tema muito importante para a equidade de gênero nas empresas, o parentalismo inclusivo? A Zurich Santander é uma das companhias que acredita que o parentalismo precisa ser cada vez mais inclusivo e, além das práticas internas para pais e mães já serem aplicadas igualmente para casais homoafetivos, heteroafetivos e em casos de adoção, no ano 2020, atualizou sua Política Parental para gerar um impacto ainda mais positivo na vida de todas as configurações de família. Assim, para que os pequenos tenham o apoio necessário desde os primeiros dias de vida, os direitos são iguais para licença-maternidade, licença-paternidade, adoção e reprodução assistida, sendo até 180 dias para o responsável primário (geralmente a mãe) e até 42 dias para o corresponsável (geralmente o pai). Convidamos Marcela Lucchesi Aranha, superintendente de Projetos – CIO e mãe de 3 filhos, e Anderson Alves de Almeida, consultor de projetos e pai da recém-nascida Manu para compartilharem suas experiências. Ela como mãe e gestora; ele como pai e colaborador que pode recentemente usufruir seus dias de licença como corresponsável.

1) Como pais, como vocês enxergam essa iniciativa da Zurich Santander de estender a licença parental? Qual é a importância de poder vivenciar por mais tempo o convívio com os filhos recém-nascidos?

Marcela: Eu, como mãe, entendo que é extremamente importante esse benefício, pois é um momento em que tudo é novidade e a adequação é primordial! A necessidade de apoio, principalmente em relação à mulher, é real e a licença oferece um ambiente de conforto, em que ambos os responsáveis são parte atuante nos desafios pósmaternidade! Gostaria que meu marido tivesse tido esse benefício e eu incentivo os colaboradores da minha equipe a utilizá-lo, pois, além de valorizar essa etapa tão especial é positivo para a construção do mindset de divisão de responsabilidade e de mudança cultural. Anderson: Eu já estava feliz com os 20 dias que tínhamos com o “Empresa Cidadã” e, assim, poder ficar mais próximo da Manu e colocar ainda mais a mão na massa nos afazeres domésticos. Com a licença-parental que temos aqui na empresa ficou ainda melhor! Geralmente, eu vejo que os pais de primeira viagem contam com a ajuda dos avós nesses primeiros meses, porém o ‘perrengue’ no pósmaternidade é um processo natural e essencial de amadurecimento. Poder acompanhar tudo isso de pertinho foi um crescimento incrível que só foi possível com o benefício! Em números, foram 42 dias de licença mais 10 dias de férias. O resultado não poderia ser melhor, mesmo com muitas fraldas trocadas e muitas noites mal dormidas (e ainda continua), a conexão com a Manu está cada vez maior, nossa comunicação (não verbal) flui e o amor é incondicional. Minha esposa Vanessa agradece imensamente, pois minha participação nas tarefas em casa está resultando em uma grande parceria. Com certeza, a Manu também está muito feliz com a minha presença. Na foto, você pode ver ‘a vida como ela é’, após uma noite mal dormida, mas com a Manu (e os gatos) babando!

2) Como foi a preparação para essa primeira experiência? (Marcela é a gestora direta do Anderson)

Marcela: O que fizemos foi uma organização inicial das atividades do Anderson para que os projetos continuassem rodando. Ou seja, houve uma preparação da equipe para que ninguém ficasse sobrecarregado. Todos entenderam também que era um esforço conjunto para que o nosso colega usufruísse em plenitude desse período tão especial. Anderson: Foi muito positivo esse planejamento para que os trabalhos continuassem a pleno vapor; é bem semelhante ao que fazemos quando vamos tirar férias. Um ponto muito legal é que eu senti o carinho da equipe, eles todos tiveram uma atenção comigo, pois valorizaram a emoção da chegada do primeiro filho. E quando de fato ele vem, cada dia é uma novidade, a gente não sabe porque chora, tem dia que dá certo, tem dia que não dá, mas a lição que eu tiro disso é que esse envolvimento nos primeiro meses impacta diretamente no futuro do pequeno. Aliás, essa preocupação da empresa com esse acompanhamento inicial é um trabalho social, porque ela está indiretamente auxiliando na construção dos cidadãos de amanhã!

3) Há algum tipo de preconceito ou barreira que desestimule os homens a desfrutarem da licença parental?

Marcela: Uma pessoa nova de casa ainda não tem a segurança do ambiente de trabalho e pode ter esse receio de ficar um tempo maior fora. Quando você conhece a empresa e a liderança e as pessoas também já sabem o profissional que você é, fica muito mais fácil. Como tudo ainda é novo, o tempo e a utilização do benefício serão fortes aliados para a construção dessa cultura. Anderson: Eu enxergo que ainda falta essa cultura e que algumas pessoas podem ter insegurança de ficar esse período fora, com medo de perder espaço. Mas temos que trazer para o foco o momento, esse novo desafio, pois não é ‘ajudar o cônjuge’, mas sim estar presente!

4) Vocês acreditam que esse benefício é um exemplo prático de ações para valorização da equidade de gênero? O que a licença parental pode ensinar para os homens, uma vez que se trata de um benefício muito pouco difundido no País?

Marcela: Com certeza é uma valorização da equidade de gênero. O benefício traz a reflexão de que o homem é necessário para cuidar da casa, cuidar da criança, pois naturalmente o bebê demanda um processo de adequação tão forte que é preciso uma divisão de tarefas muito clara. Fisiologicamente, a mãe é sobrecarregada nesse período. A harmonia entre as relações, ter mais humanidade e participar da rotina são ações que deixam a jornada muito mais leve! Eu tive gêmeos e um ano depois tive o terceiro filho, e nunca me passou pela cabeça parar de trabalhar, pois eu tenho também meus projetos, minha carreira, e se eu tivesse meu marido usufruindo de um benefício como esse, tenho certeza de que o desafio seria mais tranquilo. Anderson: Volto a dizer, é um processo de aculturamento das famílias o entendimento de que a chegada de um bebê é uma parceria. Não é responsabilidade exclusiva da mulher. É uma relação de cuidado. Tem hora que a criança chora e só quer a mãe, e é nesse momento que a gente precisa fazer a diferença, ajudar mais nas atividades da casa.

5) O que a pandemia vem ensinando em relação à divisão de tarefas para o cuidado da família?

Marcela: Aqui na minha casa o pessoal teve que trabalhar, pois o isolamento juntou todo mundo ainda mais! Um colocava o arroz para cozinhar, o outro acompanhava o cozimento. Foi bem assim. Como não tínhamos ajudante, cada filho teve que arrumar sua cama, limpar as suas coisas. Um ponto que foi muito importante nessa dinâmica foi a valorização das coisas que antes eram ‘paisagem’, pois damos mais carinho a quem está do nosso lado. Meus filhos sentiram falta dos amigos e da escola. Sim, o acúmulo de função foi desgastante, mas a nossa união fortaleceu o ambiente familiar! Anderson: Nós também tínhamos uma ajudante em casa e, com o isolamento social, sentimos a necessidade de permanecer com os pagamentos do salário, mesmo que ela não estivesse em atividade. Isso só foi possível por conta de outros benefícios da empresa, como o processo de adiantamento de 13º salário. Com relação à dinâmica, foi aquela coisa: ao invés de happy hour, a alegria é lavar o banheiro depois do trabalho para poder descansar no final de semana!

6) De forma geral, quais as vantagens que a empresa pode ter ao investir em iniciativas como esta?

Marcela: A mulher sempre foi estereotipada, principalmente na área de Tecnologia, ambiente em que predominam os homens. Ter um benefício desse gera uma empatia e uma nova visão, mais igualitária, com menos preconceitos. Aquela velha pergunta de entrevista de emprego machista, ‘aí, você pretende engravidar?’ ou ‘você vai engravidar agora?’, deixam de ser protagonistas nesse ambiente para dar lugar a ‘tenho licença-parental pois sou responsável junto com a minha parceira e quero fazer parte do desenvolvimento do meu filho. Anderson: O colaborador fica muito mais satisfeito em saber que ele pode, com tranquilidade, estar próximo da sua família em um momento tão especial! O trabalho não está em conflito com a vida pessoal, é uma harmonia. E esse sentimento traz para a empresa um colaborador mais motivado, com mais empatia. É isso, todo esse apoio emocional e financeiro que recebi nesse período contaram muito para o sucesso dessa fase da minha vida.

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