Presença feminina em Conselhos Diversidade e competências

Muito se tem discutido atualmente sobre a necessidade de aumentar a representatividade de mulheres e minorias raciais nos conselhos de administração das empresas, tanto no Brasil, como no exterior. Um outro tema que tem ganho enorme relevância diz respeito à inclusão de métricas de ESG (Environmental, Social and Governance) na avaliação do desempenho e na formulação da estratégia das empresas.

No Brasil, dependendo da amostragem, a participação de mulheres em conselhos de grandes empresas é da ordem de 14% (pesquisa da Korn Ferry), enquanto na França, que instituiu uma cota mínima de 40%, a participação é de 44%; e no Reino Unido, as mulheres representam 34% dos
membros dos conselhos das empresas do FTSE 350. A pequena presença das mulheres reflete a baixa participação feminina em posições executivas (C-Level) e o fato de grandes empresas tradicionalmente darem referências a CEOs e ex-CEOS para compor seus Conselhos de Administração.

Os países que optaram por sistemas de cotas, instituídas por lei, tiveram um maior progresso em cooptar mulheres. Para atender à lei, as empresas precisaram se adaptar, reduzindo a exigência de que os membros dos conselhos sejam CEOs ou ex-CEOs em favor de mulheres executivas
em níveis de diretoria e vice-presidência.

Sem dúvida, a experiência e o background de CEOs são muito importantes na discussão de problemas e situações enfrentadas pelas empresas e conselhos. Mas a participação de pessoas com experiências setoriais e funcionais também contribui significativamente para a boa dinâmica dos Conselhos. Atualmente, além de experiência em áreas como finanças, M&A, controle e accounting, existe interesse em recrutar conselheiros com experiência digital, tecnológica e comercial, e em indústrias específicas. Empresas brasileiras também têm buscado conselheiros com experiência em sustentabilidade e mercados internacionais.

Apesar do nome, o Conselho não é um órgão de assessoria, assim sendo, experiência empresarial é bastante importante para o bom desempenho. O Conselho de Administração é responsável pela aprovação da estratégia da empresa, pela supervisão dos riscos, pela aprovação das demonstrações financeiras, pela seleção dos auditores externos, pelo plano de sucessão e remuneração do time executivo e membros do Conselho, bem como por
zelar pela governança corporativa e pela defesa da empresa, seus acionistas e demais partes interessadas. O Conselho é também responsável pela aprovação do orçamento e o plano de investimentos anuais da empresa. Em momentos de crise, como vem ocorrendo no caso da pandemia, por exemplo, o Conselho tem de atuar com o time executivo para preservar a continuidade dos negócios e a liquidez da empresa, bem como zelar pela saúde e segurança dos colaboradores e comunidades. O Conselho tem um papel fundamental na supervisão da gestão do capital humano, bem como pela reputação e atuação ética da empresa.

Com a crescente cobrança pela sociedade, acionistas e investidores no tocante à responsabilidade social das empresas, cabe ao Conselho aprovar e monitorar os indicadores de ESG. O Conselho também monitora o progresso da empresa na área digital e a resiliência contra- ataques cibernéticos, tão comuns atualmente.

Para mulheres que almejam uma primeira participação em conselhos pode ser interessante começar com empresas menores, e, ao mesmo tempo, se preparar para desafios maiores. Visibilidade, atualização e preparo são essenciais para iniciar a jornada. A pandemia possibilitou o desenvolvimento de formação via internet e, assim sendo, existem diversos cursos online que preparam para a posição de conselheiro ou conselheira, oferecidos por instituições como o IBGC (Brasil), NACD (USA), Institute of Directors (UK), INSEAD (França). Outras entidades oferecem formação específica em ESG para conselheiros além de uma miríade de seminários gratuitos e de excelente qualidade.

Junte-se a nós! Boa leitura.

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